Prontuário compartilhado entre psicólogo e psiquiatra: o que pode e o que não pode
Equipe AltiviaClinica · 26/08/2026
Paciente que faz psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico ao mesmo tempo é situação comum, e a comunicação entre os dois profissionais frequentemente melhora o cuidado. O que costuma faltar é clareza sobre onde está o limite entre colaboração legítima e exposição desnecessária do conteúdo da sessão.
O consentimento do paciente é o ponto de partida, não um detalhe
Trocar informação com outro profissional sobre o caso de um paciente exige que ele saiba e concorde — não é implícito pelo fato de os dois profissionais estarem cuidando da mesma pessoa. Vale registrar esse consentimento explicitamente, da mesma forma que qualquer outro consentimento informado do processo.
Compartilhar o quê, não compartilhar tudo
O psiquiatra geralmente precisa saber sobre estabilidade do quadro, resposta a intervenção, sinais de risco — informação funcional para a decisão médica. Não precisa, via de regra, do conteúdo detalhado da sessão de psicoterapia. A prática mais segura é produzir um resumo objetivo para essa finalidade específica, seguindo a mesma lógica de um relatório pensado para quem vai lê-lo, em vez de repassar o prontuário inteiro.
Cada um mantém o próprio prontuário
Não existe prontuário único compartilhado entre os dois profissionais — cada um documenta o próprio trabalho, com a própria responsabilidade sobre o registro. O que se compartilha é comunicação pontual sobre o caso, não acesso mútuo aos registros completos um do outro.
Canal de comunicação também é dado sensível
Trocar informação de paciente por aplicativo de mensagem pessoal — mesmo entre profissionais que se conhecem e confiam um no outro — tem o mesmo problema de qualquer canal informal usado para dado clínico: fica fora de qualquer trilha de acesso, sem controle sobre quem mais tem acesso àquele aparelho ou conta.
Quando o paciente pede para não haver comunicação entre os dois
É direito do paciente recusar essa troca, mesmo que isso pareça prejudicar a coordenação do cuidado do ponto de vista técnico. A recusa deveria ser registrada, respeitada, e — quando fizer sentido clinicamente — trabalhada como parte do próprio processo, não contornada informalmente.
- sigilo
- prontuário
- interdisciplinar