Errou no prontuário: como corrigir sem apagar
Equipe AltiviaClinica · 12/09/2026
Acontece com todo mundo: a evolução foi lançada no paciente errado, a data está trocada, o nome saiu com erro, faltou registrar a sessão de terça e você percebeu na quinta.
O reflexo é apagar e refazer. É o pior caminho possível, e a razão não é burocrática.
Por que apagar estraga o documento inteiro
O valor do prontuário como prova vem de uma única propriedade: o que está escrito não foi alterado depois.
Um documento que pode ser editado livremente não prova nada sobre quando algo foi anotado. E o problema não fica restrito à linha que você corrigiu — ele contamina o registro inteiro, porque se aquela linha podia ser reescrita, todas podiam.
Na hora em que o prontuário mais importa, alguém vai perguntar exatamente isso.
O procedimento que funciona
É o mesmo em papel e em sistema, e vale para qualquer profissão de saúde:
O erro permanece. A correção entra como registro novo, com data própria, apontando o que está sendo corrigido.
Em papel, isso é o traço único que mantém o texto legível — nunca corretivo, nunca rasura que esconde —, com a correção ao lado, datada e assinada.
Em sistema sério, é o registro de retificação: um lançamento novo que referencia o anterior. Os dois continuam visíveis, na ordem em que aconteceram.
Parece burocrático e é o contrário: é o que permite corrigir sem destruir o valor do que já estava lá.
O que escrever na correção
Três elementos, uma ou duas linhas:
- o que estava errado, sem rodeio;
- o que é o correto;
- quando você percebeu — porque a distância entre o erro e a correção conta uma história, e uma correção feita no mesmo dia lê muito melhor do que uma feita três meses depois.
"Registro de 04/09 lançado no paciente errado. O conteúdo refere-se ao atendimento de [outro paciente], corrigido no registro de hoje. Percebido em 06/09 na conferência da semana."
Não precisa de justificativa elaborada. Erro de digitação é erro de digitação.
O caso do lançamento no paciente errado
Esse merece cuidado extra, porque envolve duas pessoas.
O conteúdo clínico de um paciente ficou no prontuário de outro. Não basta corrigir o destino: ficou registro indevido num prontuário que não é o daquele conteúdo, e alguém com acesso àquele prontuário pode ter lido.
O que o procedimento pede: retificar nos dois lados, registrar que houve o equívoco, e — se o prontuário afetado foi acessado por outra pessoa no intervalo — tratar como o que é, um incidente de acesso indevido, com o registro correspondente.
É desconfortável. É menos desconfortável do que descobrir isso pela reclamação de alguém.
Esquecer de registrar não é o mesmo que errar
Registro atrasado é lançado com duas datas: a data do atendimento e a data em que está sendo escrito. Nunca antedatado.
Antedatar é o único item desta lista que muda de categoria: deixa de ser falha de processo e vira falsidade documental. A tentação existe porque parece inofensivo — "foi só ajustar para o dia certo". Não é.
O que exigir do sistema
Um prontuário eletrônico que permite editar registro assinado sem deixar rastro não está te ajudando; está te expondo, porque entrega um documento que ninguém precisa aceitar como íntegro.
O comportamento correto é chato de propósito: assinou, não reescreve — corrige com registro novo, e os dois ficam.
No AltiviaClinica o registro assinado não é editável: a correção entra como registro novo apontando o anterior, e os dois permanecem na linha do tempo. Veja o prontuário eletrônico ou a página de segurança.