Repasse entre psicólogos: como calcular sem brigar no fim do mês
Equipe Psi Gestão · 22/08/2026
Clínica com mais de um profissional cedo ou tarde precisa fechar repasse. E quase toda discussão sobre repasse tem a mesma origem: o acordo foi combinado como um número — "setenta por cento" — sem que as partes tivessem combinado a mesma coisa sobre o resto.
Quatro pontos resolvem a maior parte do atrito. Vale acertar todos por escrito antes do primeiro atendimento.
1. O percentual incide sobre o cobrado ou sobre o recebido?
Este é o ponto que mais gera conflito, e é resolvido numa frase.
Se o repasse incide sobre o cobrado, a clínica paga o profissional por sessão realizada, tenha o paciente pago ou não. A inadimplência fica inteira com a clínica.
Se incide sobre o recebido, o profissional só recebe quando o paciente paga. O risco é dividido na mesma proporção do repasse.
Nenhum dos dois é errado. O que dá problema é não ter combinado, porque cada lado assume o que lhe é mais favorável — e a diferença só aparece no mês em que alguém não paga.
2. O que é descontado antes da divisão
Taxa de cartão, taxa de gateway, imposto sobre a receita. Cada um desses pode ser descontado antes de aplicar o percentual, ou depois, ou ficar inteiro com um dos lados.
O caso mais comum de mal-entendido é a taxa de cartão. Numa sessão de duzentos reais paga no crédito com taxa de quatro por cento, entram cento e noventa e dois. Se o repasse é setenta por cento, o profissional recebe cento e quarenta ou cento e trinta e quatro e quarenta, dependendo da resposta — e os dois números são defensáveis.
3. Como entram falta, cancelamento e sessão cortesia
Falta cobrada do paciente entra no repasse? Falta não cobrada gera alguma coisa para o profissional? Sessão de devolutiva ou avaliação inicial tem tratamento diferente? Cortesia sai de quem?
Sem regra definida, cada caso vira uma negociação — e negociação repetida sobre valores pequenos desgasta mais que o valor em disputa.
4. Data de fechamento e data de pagamento
São duas datas, não uma. O fechamento é o corte do período; o pagamento é quando o dinheiro sai. Misturar as duas produz aquela conversa de "mas essa sessão foi no dia trinta e um".
Combine explicitamente: período fechado, prazo para conferência, prazo para pagamento. E o que acontece com um pagamento que entra depois do fechamento — normalmente entra no período seguinte, o que é justo desde que esteja combinado.
Um extrato resolve mais que uma planilha
O que encerra discussão não é o total. É o profissional conseguir ver, sessão a sessão: data, paciente, valor cobrado, valor recebido, data do recebimento, descontos aplicados e o valor que sobrou para ele.
Quando o extrato existe e é conferível, a conversa deixa de ser sobre confiança e passa a ser sobre um lançamento específico — que se resolve em dois minutos. Quando existe só o total, qualquer divergência vira suspeita.
Cuidado ao mexer no histórico
Repasse fechado e pago é fato consumado. Se um valor entra depois, ou se um lançamento estava errado, o caminho é lançar o ajuste no período seguinte, com descrição — não reabrir e reescrever o mês anterior.
Histórico que muda depois de fechado destrói exatamente a confiança que o extrato deveria construir. Além de tornar impossível reconciliar qualquer coisa meses depois.
O acordo em uma página
Vale ter um documento curto, assinado, com: o percentual, sobre o que incide, o que é descontado antes, como entram falta e cortesia, a data de fechamento, a data de pagamento e como se corrige um erro.
Uma página evita a maior parte das conversas difíceis. A ausência dela não evita nenhuma — só adia para o momento em que já há dinheiro em disputa e uma relação de trabalho para preservar.
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